E eu que pensava ter minha ordem reestabelecida e os parâmetros regentes de minh'alma bem definidos, as imagens bem desenhadas, me vejo perdido nos encontros amargos de um bem viver.
Hoje percebo tão atônito que as projeções que me sustentavam são como as nuvens que se desfazem no âmago de meu ser...
É nessa infinidade infinita de coisas que me encontro e reencontro.
Nesta anomia sentimental que me refaço e faço meu caminho, me esmago e me reconstruo.
Me mato e renasço como fênix única e inacabada, sedenta de não-sei-o-que, não-sei-pra-quem em um não saber maior que a existência.
Fraco corpo vão e frio de esguia palidez sem energia, sem vida, sem animus...
Me toma o coração palpitante de ritmo descompassado em arte infinita de um bater em silêncio eloquente, em um vácuo material numa estrutura de inconstância formal.
Quem me atormenta os olhos? Que luz divina me chega aos momentos finais de minha vida?
Ah luz que tudo ordena, que do caos torna padrão, que normatiza, que distribui, que sedimenta, que alimenta, me reconstitui...
Aflige minha falta de existencia a ausência de quem amo, a inconstância, a morbidez enérgica de uma vida que não mais vive. De uma alma que não mais alimenta, que não vegeta, que não sustenta. Uma alma cadavéríca e aflitiva, uma alma sem parâmetros ou discussões, sem força ou estranheza. Alma inanimada e corrupta nos olhos primários cheios do ódio do tempo, cheios da amargura dos amores, das dores indissolutas, das guerras indissolúveis.
Nenhum comentário:
Postar um comentário