terça-feira, 24 de maio de 2011

(Des)Ordem

E eu que pensava ter minha ordem reestabelecida e os parâmetros regentes de minh'alma bem definidos, as imagens bem desenhadas, me vejo perdido nos encontros amargos de um bem viver.
Hoje percebo tão atônito que as projeções que me sustentavam são como as nuvens que se desfazem no âmago de meu ser...
É nessa infinidade infinita de coisas que me encontro e reencontro.
Nesta anomia sentimental que me refaço e faço meu caminho, me esmago e me reconstruo.
Me mato e renasço como fênix única e inacabada, sedenta de não-sei-o-que, não-sei-pra-quem em um não saber maior que a existência.
Fraco corpo vão e frio de esguia palidez sem energia, sem vida, sem animus...
Me toma o coração palpitante de ritmo descompassado em arte infinita de um bater em silêncio eloquente, em um vácuo material numa estrutura de inconstância formal.
Quem me atormenta os olhos? Que luz divina me chega aos momentos finais de minha vida?
Ah luz que tudo ordena, que do caos torna padrão, que normatiza, que distribui, que sedimenta, que alimenta, me reconstitui...
Aflige minha falta de existencia a ausência de quem amo, a inconstância, a morbidez enérgica de uma vida que não mais vive. De uma alma que não mais alimenta, que não vegeta, que não sustenta. Uma alma cadavéríca e aflitiva, uma alma sem parâmetros ou discussões, sem força ou estranheza. Alma inanimada e corrupta nos olhos primários cheios do ódio do tempo, cheios da amargura dos amores, das dores indissolutas, das guerras indissolúveis.

Sombrio

Alma disforme, de sentidos torpes e indefinidos...
Olhar sombrio de sombria natureza humana.
Voraz consumo de mim mesmo, apaziguado em vossa divna alma pura.
Desânimo envolto em arrogância fria e inconstante de vontade audaz.
Perdoai minha impertinência se o simples fato de contemplar a sua beleza e plenitude ofende sua perfeição.
Matar-me-ei em vossa honra, em prova de minha adoração e fidelidade.
E por mínimo que seja o preço de minha vida, ainda sim sacrificar-me-ei, verterei sangue em veneração, em arrependimento.
Que amor tão grande seja sagrado em bocas ociosas de benignidade e reverência...
Que a aurora possa resplandecer teu corpo, que a força possa ser revestida de ternura incomensurável em espécie atemporal de modalidade perpétua.
Que meu coração te sirva de agrado, que minh'alma seja feliz em tua presença e na ausência da materalidade efêmera das coisas.
Que minha pulsação seja somente sua, que minha vida seja subordinada à condição de sua existência.
Sua alegria é o combustível de minhas funções mais elementares, de meus sonhos mais puros, de meus pensamentos mais corretos.
Vou-me embora, para um espaço onde aguardarei um dia encontrar-te, tornando a sentir a alegria ajuntar-se em virtude, em confluência espiritual de duas almas em um só sentimento nos sombrios recônditos de um ser mutante, incrédulo e caquético chamado Amor.

Promessas

Quem me dera poder te dar o céu
Ou o mar, ou o ar, as estrelas ou o sol
A essência, a vivência, o conforto, o luar
O desejo, um almejo mais salutar

Quem me dera permanecer contigo
Ver-te dormir, um dia estar contigo
Pra te ver sorrir, pra te ver acordar
Pra te proteger quando possível

Ah se Deus me permitisse agora
Que os olhos lindos saissem de minha mente
E, junto com sua dona, viessem de encontro a mim
Trazendo como veste a felicidade natural

Ah Céus! Como seria bom...
Que maravilha seria, vê-la tão bem,
Sentí-la aqui em meu abraço
Santificá-la em devoção de paz!

Desejos

Que seu olhos me acompanhem
Que minha vida seja sua
Que minha amizade seja pura
Que minha adoração seja eterna

Que meu coração seja seu
Que a força do sentimento
Traga a essencia da convivência
Que possamos nos entrelaçar!

Que toda a beleza sua
Seja por todos percebida
Que a sua timidez
Venha aos poucos sendo vencida

Reconheça seus valores
Reconheça suas belezas
Seja assim, perfeita,
Intimamente perfeita, intimamente divina...

Sorriso

Ah! Que sorriso lindo inebria minhas noites
Ah que boa recordação me estima a alma
Oh luz divina, perpetue-se em minh'alma
Que a ausência tua comprime meu peito

Sorriso tão belo, timido e satisfeito
Que consola meus dias infelizes
Tua boca, anunciante de minhas graças
É o ícone maior de uma furtiva esperança.

Aceita-me por teu servo, por teu escravo
Em pagamento, o sorriso mais sincero e mais amado
Para esse ser amargo que vos fala em agonia
Nessas noites de ausência de sua figura linda

Perdoai a impertinência, que em zelo se tornara
Perdoai as minhas falhas, imperfeições desbotadas
Meus discursos, as palavras, perdoa a falta de calma
Que mais marca essa alma na agonia de tua ausência...