terça-feira, 24 de maio de 2011

Sombrio

Alma disforme, de sentidos torpes e indefinidos...
Olhar sombrio de sombria natureza humana.
Voraz consumo de mim mesmo, apaziguado em vossa divna alma pura.
Desânimo envolto em arrogância fria e inconstante de vontade audaz.
Perdoai minha impertinência se o simples fato de contemplar a sua beleza e plenitude ofende sua perfeição.
Matar-me-ei em vossa honra, em prova de minha adoração e fidelidade.
E por mínimo que seja o preço de minha vida, ainda sim sacrificar-me-ei, verterei sangue em veneração, em arrependimento.
Que amor tão grande seja sagrado em bocas ociosas de benignidade e reverência...
Que a aurora possa resplandecer teu corpo, que a força possa ser revestida de ternura incomensurável em espécie atemporal de modalidade perpétua.
Que meu coração te sirva de agrado, que minh'alma seja feliz em tua presença e na ausência da materalidade efêmera das coisas.
Que minha pulsação seja somente sua, que minha vida seja subordinada à condição de sua existência.
Sua alegria é o combustível de minhas funções mais elementares, de meus sonhos mais puros, de meus pensamentos mais corretos.
Vou-me embora, para um espaço onde aguardarei um dia encontrar-te, tornando a sentir a alegria ajuntar-se em virtude, em confluência espiritual de duas almas em um só sentimento nos sombrios recônditos de um ser mutante, incrédulo e caquético chamado Amor.

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